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Resenha: No Trauma - Viva forte até o seu leito de morte - Nota: 8,5


Sem dúvida, é prazeroso quando se depara com um trabalho onde os músicos se uniram em prol de buscar uma linguagem própria e não se por a fazer mais do mesmo ou copiar fórmulas que já funcionam, sobretudo num campo como o Metalcore já um tanto saturado, o No Trauma viu o desafio, peitou e saiu vitorioso, assim como um lutador do UFC saindo do ringue com a certeza de que fez bonito!

A música do No Trauma tem variações rítmicas e um rifferama bem construídos, o que faz uma complexidade rica e sobretudo vibrante para o ouvinte, não deixando cair a peteca mesmo com sua rica variedade de detalhes e tonalidades.
Embora pedradas como “Fuga”, “Massa de Manobra” ( que aliás possui uma das melhores letras do Metal Nacional), “Demoniocracia”, e “Algemas do Medo” chamem mais atenção numa primeira audição, há que se fazer novas audições para descobrir a riqueza de idéias da banda, seja hora em belíssimos e espertos duetos de guitarras, ora em bases grooveadas, seja nas intrínsecas partes mais elaboradas ou na beleza dos detalhes suaves, a banda sabe pensar e resolver sua sonoridade com exatidão sem abrir mão daquelas partes de puro agito e emoção que fazem a alegria de todo Metalhead!



Nas partes vocais, também ouve a preocupação em se adicionar  momentos de melodia em contraste com as passagens mais extremas e vozes clean como contraste, talvez Hosmany Bandeira pudesse variar um pouco mais sua voz nas partes agressivas, mostrando mais suas outras vozes como fez em “Algemas do Medo”. 

Há ainda as surpresas de “M.M.A” que mostra o excelente trabalho da cozinha do NoTrauma, “Força” em sua rica estrutura mezzo “RAPeada” mezzo Hardcore; e toda a beleza de “Sawabona Shikoba” faixa de belos coros, de contrastes, empolgante e com uma técnica soberba!
Vale lembrar a excelente arte gráfica do trabalho, que chama a atenção  para todo o profissionalismo envolvido no trabalho! Atualmente no estilo, não conheço banda melhor que o No Trauma, aparando pequenas arestas com certeza o sucesso é consequência, pois talento e musicalidade eles têm de sobra!



notraumaoficial@gmail.com

por: Ed Oliver

Melanie Klain - Resenha: Análise do Caos! Nota: 9,0


Aqueles acostumados a usar a música somente como veículo de entretenimento, poucas vezes entendem o dilema do crítico de música ao se deparar com bandas que não vivem aquilo que pregam sobretudo ao vermos infelizmente caras com um discurso vazio, músicos playboys andando de skate, falando como malandro porque é modinha e bocejando letrinhas de como sua vida é tristinha ou garotas tatuadas com seus microfones apontando dedos, pagando de conscientes e vivendo em coberturas de luxo e o que é pior: - considerados "os fodas" pela massa manipulada pelas Fms.
Mas infelizmente esse quadro faz parte do jogo e quem tem um pouco de personalidade vai em busca de conteúdo.

E eis que em meio aos caos cotidiano que permeia o ofício de resenhar lançamentos é que derepente em acordes mágicos que aos poucos tomam vida nos falantes é que surge uma pedra bruta, que aos poucos vai se lapidando e mostrando seus quilates em forma de música, isso é Melanie Klain.

  

Estes paulistanos de Mococa, vieram moldando sua música abertos às diferentes influências de seus membros e moldaram um som moderno, pesado, original e cuja conteúdo das letras impressiona pela verdade das entrelinhas, como faltava a tempos uma banda sentir e cantar no cenário nacional.
Ondas de Metal Moderno, Hardcore,  Thrash, ecoam num Rock/Metal pesado e vigoroso, cujas melodias se incorporam de forma perfeitas à agressividade latente e não caricata de seus músicos, e é exatamente essa dificuldade em rotular a banda é que é sua maior força e qualidade.

A Intro "Desrespeitável Público" é o currículo do Brasil, que prepara o ouvinte para "Abençoados por Deus", porrada "grooveada" com um inteligente diálogo de vozes aliando agressividade e por vezes num ritmo "RAPeado" e variações rítmicas bem interessantes. "Diálogo" tem uma letra que daria aula em muita banda antiga dita "punk" por aí, Duzinho vai mostrando o excelente letrista que é, assim como a faixa anterior há uma quebra rítmica no meio onde a banda prepara o ouvinte para o belo ataque de guitarras e solos inspirados que vêm a seguir.

"Fé Cega" de novo trata de forma perfeita em sua letra, um dos aspectos mais famigerados de nossa religiosidade, riffs poderosos e cadentes em unidade com o peso da temática, e mais um dueto fenomenal da dupla de guitarras! Segue a porradaria com "Guerra" uma faixa poderosa e densa que deságua na acústica "Marcas do Abandono" em sua surpreendente beleza que cresce e alterna momentos agressivos e melódicos com classe, na qualidade interpretativa de Duzinho que parece cantar sua própria vida.

A impactante bateria de Pedro abre "Lavagem Cerebral" mostrando toda sua técnica, uma faixa contundente que flerta sem medo de ser feliz com o Thrash e o Metalcore, no melhor refrão do álbum que o fara cantar junto por dias. "Cartas de um Suicida" toca no delicado tema de sua letra, mostrando no instrumental a marca do Melanie Klain, a inteligente alternância entre os climas de sua música,
e "Cólera/Nação" também segue nessa variação instrumental sem deixar de mostrar a belíssima técnica individual de seu músicos e um final Hardcore de quebrar pescoços!
"Rede Social" traz sem dúvida a melhor letra do CD, sobre a maldita modinha do politicamente correto e das posições políticas do momento, palavras sensacionais que surgem em meio a um Metal cheio de "groove" e adornado de guitarras ganchudas e originais, sem dúvida a música do ano!

"Análise do Caos" que dá nome ao CD é mais uma vez o retrato perfeito da realidade social e que o Melanie Klain passa sem ser panfletário, ao contrário você sente a vontade de cantar a plenos pulmões junto com a banda, ainda mais ouvindo a massa sonora de seu Metal alucinado como trilha sonora em viradas rápidas em belas passagens do baixo  e da cozinha que dominam a faixa.
"Reflexão" é uma confissão que merece ser ouvida e fecha de maneira perfeita o trabalho.

Sem dúvida o Melanie Klain é sem exagero, umas das mais gratas surpresas da música surgidas em nosso país nos últimos tempos, um trabalho essencial e que promete deixar profundas marcas, pois se já começou obrigatório, com certeza teremos outras poderosas surpresas vindas desta trupe!

resenha: Ed Oliver



Resenhas: Cavera - Unfit for Rational Consumption


Cavera - Unfit for Rational Consumption Nota: 5,0

Quando um estilo se sobressai no gosto do público é normal e notório que o número de bandas que surgem apostando naquele estilo seja em grande escala, e também é comum que uma grande parcela destes sejam meros paraquedistas que não entendem do "riscado" e as bandas passem a compor verdadeiros "Frankensteins" do estilo. Assim, sempre vou cautelosamente ouvir quando há um novo lançamento na tênue linha do Metalcore e do Thrash Grooveado tão em voga atualmente.

Do Rio Grande do Sul o Cavera enveredou por estes estilos e com o diferencial de dosar  de forma consciente suas outras influências dentro o deste caldeirão e moldar um estilo próprio, percebe-se na totalidade do CD que os músicos souberam dosar tudo, o que denota um time de grandes músicos em seu debut "Unfit for Rational Consumption".

Os destaques do Cd vão sem dúvida para as músicas mais diretas como Creatures, More Lies, Seven, Snuff Box que mostram a cara do Cavera músicas fortes, boa contrução de refrões e variações de bases bem interessantes. Leandro Mantovani (Baixo) e André Luiz (Drums) contrõem uma parede criativa e poderosa para o ataque de Catiano Alves, guitarrista que mostra ser diferenciado em todo o trabalho, sendo acompanhado pela guitarra afiada de Rodrigo Rossi.


Faixas como Little General, La Strega Rossa/Senza Cura, Unnamed Pills, Controlled by The Hands são exemplos do que a banda possa lapidar o seu som: - As faixas tem muito boas idéias porem o pequeno excesso de variações tanto na parte vocal como no ritmo fazem com que o ouvinte em certos momentos se desconecte da música, como La Strega Rossa com seus 7:24, um pouco excessivos para este estilo de som que a banda trabalha, nada que comprometa o trabalho mas são pontos a serem pensados. Rodrigo Rossi canta muito e com certeza com pequenos acertos alcançará o time dos grandes vocalistas nacionais dentro em breve.

Vale citar ainda Glistening Lips, bases e ritmo para se agitar imediatamente, Time to Die na minha opinião a melhor faixa do trabalho tem uma química que com certeza a banda poderia usar mais, algo de Rock Cru numa base grooveada que empolga e ganha o ouvinte logo de cara.

Quanto a parte gráfica, a capa e encarte muito bonitos a cargo de Diego Gedoz encartam com louvor este trabalho que com certeza merece a atenção e vai render muitos bons frutos no Metal; o diamante bruto foi encontrado falta só encontrar um modo de fazê-lo funcionar direito e lapidá-lo.




Resenha: Ed Oliver

Entrevista Shallrise - Goiânia na rota do Metal Brasileiro!


O apreciador mais atento do Heavy Metal brasileiro percebeu que Goiânia vem se tornando cenário do surgimento de muitos novos talentos para o Metal brasileiro. Com seu recém gravado primeiro EP “Revocandi” os goianos do Shallrise mostram talento e qualidade para com certeza se destacarem e levarem seu trabalho a vôos mais altos! A Roadie Metal conversou com o guitarrista e fundador Guilherme Costa para saber sobre os planos da banda e expectativas com o lançamento de seu primeiro trabalho.

Roadie Metal: Pra começar, fale-nos um pouco sobre o início e como a Shallrise chegou à sua atual formação?
Guilherme: A banda teve início em meados de julho de 2014 com a proposta de apresentar um trabalho voltado para o Metal extremo, um som mais moderno e com peso. A iniciativa da reunião dos integrantes partiu do Cássio Rodrigues, vocalista da banda goiana Half Bridge, que na época se apresentou como baixista para essa proposta de som em conjunto com o baterista Leandro Rodrigues. Logo em seguida, foram feitos os convites a mim e o vocalista Joey Rodrigues. A princípio, com essa formação, a banda levava o nome de Against The Odds, porém, foi constatado que já havia uma banda americana assim intitulada, foi quando surgiu o nome Shallrise. Em dezembro de 2014, houve a saída do Cássio Rodrigues da banda e foi quando chamamos o Marco Túlio para substitui-lo. Com essa formação foi realizado a gravação do primeiro EP da banda, intitulado “Revocandi”, com data de lançamento marcado: 09/03/2016. Após todo o processo de gravação, vimos a necessidade de inserir outro guitarrista na formação para acrescentar outras influências nas composições e preencher as músicas com mais arranjos e peso, e assim chamamos o Thiago Vieira. Logo, a formação atual da banda é: Guilherme Costa (guitarra), Leandro Rodrigues (bateria), Joey Rodrigues (vocal), Marco Túlio Malta (baixo) e Thiago Vieira (guitarra).


Roadie Metal: Como é a cena metálica de Goiânia?
Guilherme: O cenário hoje do underground, das bandas independentes, sofre ainda com a questão de público. Alguns eventos, dos quais os organizadores tem um nome mais forte, ainda levam muita gente para apoiar as bandas independentes. No entanto, há pouco espaço ainda para a divulgação de bandas novas. A cidade ainda sofre muito com poucas oportunidades para o meio underground, mas com uma leve mudança que vêm acontecendo de forma lenta.

Roadie Metal: Recentemente a banda lançou seu finalizou EP “Revocandi”. Como foi o processo de gravação dele?
Guilherme: Começamos o processo de gravação em dezembro de 2014, quando ainda contávamos com o Cássio no baixo. A faixa um do EP, e nossa primeira single lançada “The Fallen”, foi gravada pelo Cássio e divulgada em fevereiro em forma de lyric-video. Em março de 2015 retomamos as gravações que durou em torno de um ano, até recebermos as músicas para as últimas correções. Todo o processo de gravação custou tempo, dinheiro e muito suor de todos para que pudéssemos obter o resultado que esperávamos e aguardamos pela resposta do público ansiosamente. Demos o nosso melhor para poder fazer esse trabalho e agradar o máximo de pessoas possíveis que apreciam a nossa proposta de som.



Roadie Metal: A qualidade da gravação impressiona. Como vocês chegaram à essa sonoridade específica?
Guilherme: A banda contou com todo apoio do Lucas Rezende Barros (guitarrista da banda “Aurora Rules” e dono do Estúdio “Resistência”) com as pré-produções e ajuda necessária, e para toda a parte de mixagem e masterização das faixas contamos com o Francisco Arnozan. O estúdio Resistência contém equipamentos de primeira linha que auxiliam nas timbragens de guitarras, baixo, bateria e vocal! Todo resultado final das gravações se devem a esses dois grandes profissionais e profundos conhecedores de música.

Roadie Metal: Acredito que há uma grande expectativa ao ver as músicas nos ensaios e depois elas prontas no estúdio, concorda?
Guilherme: Quando ainda estávamos em processo de composição das músicas, passamos por todo aquele processo de discussões, insatisfações, indecisões, etc. Assim que conseguíamos chegar a um acordo e praticávamos em estúdio, sentíamos a sensação de ter feito algo bem feito, porém assim que se passa por todo o processo de gravação e com os resultados, víamos toda a capacidade que a banda tem. O engraçado é que ao escutar o nosso trabalho, a banda buscava soar da mesma maneira que nos ouvíamos nas gravações e isso te estimula a fazer apresentações de forma que as pessoas às associem com o que elas venham a ouvir no EP.


Roadie Metal: A primeira faixa extraída do EP, chamada “Simply For Nothing” mostra a grande capacidade do Shallrise em unir em um tema o peso, o groove e a personalidade da banda. Pode-se dizer que esta faixa é um resumo do que o Shallrise trará a partir de agora?
Guilherme: Bom, isso foi um tipo de experiência ao tentar fazer um trabalho de forma a unir todas as nossas influências, sem dar ideia de associação a qualquer banda. Buscamos originar um som que desse característica à Shallrise, uma identidade nossa. A faixa “Simply For Nothing” não será um carro chefe para as nossas composições. Já estamos iniciando novos trabalhos antes mesmo do lançamento do EP buscando algo bem diferente desse primeiro trabalho, mas sem abandonar o peso e o groove, sem que deixe de ser “a cara” da banda.

Roadie Metal: O EP “Revocandi” (que quer dizer “Recordação” em latim) traz uma imagem simples, porém muito bela na capa. Fale sobre o conceito.
Guilherme: O conceito do EP se resume ao tema das consequências do ato de tirar a própria vida e a busca pela redenção por esse ato no que tange aos aspectos e reflexões espirituais. A base para o início desse trabalho teve origem quando em 2008, os irmãos Leandro Rodrigues e Guilherme Costa sofreram com o suicídio do seu primo. Essa foi uma forma de homenagearmos quem muito amamos e que nos influenciou na música. As faixas, na sequência que são apresentadas no EP, formam uma frase que resumem a ideia do trabalho:

01 – The Fallen
02 – Simply For Nothing
03 – Immersed In Memories
04 – Follows His Quest
05 – For Redemption

“O derrotado, simplesmente por nada, imerso em memórias, continua sua busca por redenção”.

Roadie Metal: Como tem sido a resposta do público ao EP “Revocandi”?
Guilherme: Lançamos duas músicas que estão disponíveis para o público, e a resposta tem sido muito positiva. Lançamos o lyric-video da “The Fallen” e obtivemos muitas visualizações, bem como muitos elogios. Meses depois, tivemos a música “Simply For Nothing” na coletânea da Roadie Metal Vol. 5 e várias críticas citaram a banda como destaque. Em seguida lançamos o webclipe da mesma música e novamente tivemos muitas visualizações e muitas críticas positivas. Nos shows tivemos muita aceitação da galera para as músicas do EP, o que fez a banda crescer de certa forma e hoje temos um reconhecimento legal no cenário.


Roadie Metal: Como guitarrista, que músicos e sonoridades mais influenciam seu trabalho?
Guilherme: Minhas influências pessoais são bandas como Lamb of God, Suicide Silence, Symphony X, Dream Theater, All Shall Perish, Korn, Slipknot. Busco um pouco de cada destas influências para as composições na banda.

Roadie Metal: O trabalho do Shallrise tem uma característica própria aliada ao groove moderno deixando o trabalho com grandes chances de ‘pegar’ lá fora. A banda pensa em trabalhar seu nome fora do país e em futuras tours fora do Brasil?
Guilherme: Claro. Temos a ambição de espalhar o terror sem limites e restrições! Visamos crescer a ponto de chegarmos ao nível de sair em turnês dentro e fora do Brasil!

Roadie Metal: Em quê a banda está trabalhando no momento?
Guilherme: Estamos atualmente trabalhando na divulgação do EP e já preparando material novo!

Aguardem que vem muito peso ainda!

Formação:
Joey Rodrigues (vocal);
Guilherme Rodrigues (guitarra);
Thiago Vieira (guitarra)
Marco Túlio (baixo);
Leandro Costa (bateria).

Links oficiais:
Email: shallriseband@gmail.com

* Entrevista feita por Ed Oliver originalmente para o site Roadie Metal.

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